Há um animal nos rios portugueses que vive de noite, ama de dia e nunca partilha o seu espaço. E quase ninguém sabe que está de volta.
🌙
Estilo de vida
Noturna — ativa ao ritmo das fases da lua
📍
Território
Até 30 km de rio — só para ela
💑
Romance
Namora durante dias. Depois separa-se.
🎿
Comportamento
Adultos que brincam — cientificamente documentado

Portugal é hoje um dos últimos refúgios europeus da lontra-do-rio europeia. Enquanto países como a Holanda, a Suíça e o Luxemburgo assistiram à extinção local desta espécie, os nossos rios guardaram um segredo que poucos conhecem.

Uma vida com regras muito próprias

A lontra-do-rio europeia não partilha o seu espaço com ninguém. Uma fêmea pode ter até 15 quilómetros de rio só para ela — e o macho o dobro. Não constroem tocas próprias: aproveitam cavidades naturais nas margens, alternando entre vários abrigos ao longo do território.

Comunicam através do cheiro. Possuem glândulas na base da cauda que utilizam para marcar limites, identificar-se e sinalizar o estado reprodutivo. É uma linguagem invisível para nós — mas perfeitamente clara para elas.

O romance que termina sempre da mesma forma

Durante o namoro, o casal passa vários dias juntos — a perseguir-se nas margens, a brincar na água, a explorar o território em conjunto. Depois da cópula, separam-se. A fêmea segue em frente sozinha e cria os filhotes sem qualquer ajuda do macho.

Sabias que... a presença de uma lontra num curso de água é um indicador direto de saúde ambiental? Rios poluídos, com águas turvas ou com florescimento de algas são abandonados. Onde há lontra, há rio saudável.

Portugal como refúgio

Enquanto a Europa assistia ao desaparecimento desta espécie, Portugal manteve populações viáveis distribuídas por grande parte do território — do Minho ao Algarve. É uma história de sucesso da conservação que raramente é contada. E que merecia ser muito mais conhecida.