Há um animal nos rios portugueses que vive de noite, ama de dia e nunca partilha o seu espaço. E quase ninguém sabe que está de volta.
Portugal é hoje um dos últimos refúgios europeus da lontra-do-rio europeia. Enquanto países como a Holanda, a Suíça e o Luxemburgo assistiram à extinção local desta espécie, os nossos rios guardaram um segredo que poucos conhecem.
Uma vida com regras muito próprias
A lontra-do-rio europeia não partilha o seu espaço com ninguém. Uma fêmea pode ter até 15 quilómetros de rio só para ela — e o macho o dobro. Não constroem tocas próprias: aproveitam cavidades naturais nas margens, alternando entre vários abrigos ao longo do território.
Comunicam através do cheiro. Possuem glândulas na base da cauda que utilizam para marcar limites, identificar-se e sinalizar o estado reprodutivo. É uma linguagem invisível para nós — mas perfeitamente clara para elas.
O romance que termina sempre da mesma forma
Durante o namoro, o casal passa vários dias juntos — a perseguir-se nas margens, a brincar na água, a explorar o território em conjunto. Depois da cópula, separam-se. A fêmea segue em frente sozinha e cria os filhotes sem qualquer ajuda do macho.
Sabias que... a presença de uma lontra num curso de água é um indicador direto de saúde ambiental? Rios poluídos, com águas turvas ou com florescimento de algas são abandonados. Onde há lontra, há rio saudável.
Portugal como refúgio
Enquanto a Europa assistia ao desaparecimento desta espécie, Portugal manteve populações viáveis distribuídas por grande parte do território — do Minho ao Algarve. É uma história de sucesso da conservação que raramente é contada. E que merecia ser muito mais conhecida.