O maior animal terrestre do planeta comunica através de vibrações que os humanos não conseguem ouvir e morre quando os seus dentes acabam.

Duas curiosidades que a maioria das pessoas nunca ouviu falar, sobre um animal que toda a gente conhece.

Conversas Subterrâneas

Imagina que consegues ouvir uma conversa a dez quilómetros de distância. Não pelos ouvidos, mas pelos pés. Para o elefante, isto não é ficção científica. É comunicação sísmica.

Os elefantes produzem sons de frequência muito baixa, os chamados infrassons, que estão, na maior parte das vezes, completamente fora do alcance da nossa audição. O que não sabíamos até há relativamente pouco tempo é que parte dessa energia sonora não viaja apenas pelo ar. Viaja também pelo solo, sob a forma de vibrações sísmicas. E os elefantes sabem exatamente como captá-las.

Para o fazer, têm adaptações biológicas nos pés e na tromba com recetores altamente sensíveis à vibração, os corpúsculos de Pacini. Quando uma vibração chega ao solo, esses recetores detetam-na e transmitem o sinal pelo corpo, através de condução óssea, até ao ouvido interno.

Por isso, quando vês um elefante a pousar lentamente a tromba no chão ou a levantar uma pata de forma estranha, ele pode estar a tentar escutar uma conversa.

Em condições favoráveis, como solos compactos, húmidos e com pouco ruído ambiental, as vibrações sísmicas produzidas pelos elefantes podem ser detetadas a cerca de dez quilómetros de distância. Um valor que varia consoante o tipo de terreno, os obstáculos e a intensidade do sinal.

Esta forma de comunicação é essencial para localizar outros indivíduos, coordenar movimentos em grupo e alertar sobre perigos. Tudo sem emitir um único som audível para nós.

É incrível perceber que animais com os quais partilhamos o planeta desenvolveram formas de comunicar que nós, durante milénios, simplesmente não conseguimos detetar, não porque não existissem, mas porque não tínhamos as ferramentas certas para as ouvir.

Dentes com Prazo

Há animais que morrem de doenças. Outros, de predadores. O elefante pode morrer de fome. Não porque lhe falte alimento, mas porque os seus dentes acabam.

Ao contrário da maioria dos mamíferos, o elefante não tem dentes de leite seguidos de dentes definitivos. Em vez disso, substitui os seus molares através de um sistema horizontal, como uma passadeira rolante, que lhe permite triturar quantidades enormes de vegetação abrasiva ao longo de décadas.

O mecanismo é fascinante: os novos molares crescem na parte de trás da mandíbula e empurram os anteriores para a frente, até estes caírem. Ao longo da vida, este processo repete-se até cinco vezes. Quando o dente se desgasta após anos a triturar ervas, casca de árvores e raízes, um novo empurra-o para a frente para tomar o seu lugar.

Depois do sexto e último conjunto de molares, não há mais substituição. As superfícies dentárias desgastam-se progressivamente, perdem as suas cristas de trituração, e o elefante torna-se cada vez menos capaz de processar vegetação fibrosa. O resultado é uma redução gradual da ingestão de alimentos, perda de peso e eventual morte.

O maior animal terrestre do nosso planeta. Limitado pelos dentes.